Tem um conjunto de perguntas que quase ninguém digita numa mensagem para um terapeuta, com medo de parecer ignorante ou de parecer desconfiada. Elas são exatamente as perguntas certas. Este texto responde uma por uma, incluindo as que não me favorecem.
Antes das perguntas, o enquadramento que vale para todas as respostas: Osatoshi é prática espiritual da tradição japonesa da Shinri, conduzida à distância. Não é tratamento de saúde, não tem comprovação científica, não trata doença física nem transtorno mental e não substitui médico, psicólogo ou medicação. Se você ainda não leu a explicação de base, ela está em o que é o Osatoshi.
Isso é perigoso? Pode piorar as coisas?
Do ponto de vista físico, não há o que acontecer. Não existe toque, substância, agulha, aparelho nem procedimento sobre o seu corpo. Ninguém entra na sua casa, ninguém manipula objeto seu, ninguém faz nada que você precise suportar.
O risco real dessa prática, como de qualquer outra, não está no método e sim na conduta de quem conduz. Alguém que use medo como argumento. Alguém que diga que interromper agora seria arriscado. Alguém que sugira que você largue um remédio ou adie uma consulta. Alguém que crie uma dependência mensal sem fim previsto. Esses riscos são concretos, acontecem, e é por isso que escrevi um texto inteiro sobre sinais de alerta em um terapeuta.
Existe também um risco menos óbvio, que é o de adiamento. Se você usa uma prática espiritual no lugar do cuidado que resolveria, o dano não vem do trabalho: vem do tempo perdido. Esse é o motivo pelo qual eu encaminho gente com frequência.
E quanto à ideia de que mexer nisso pode piorar tudo? A tradição descreve como esperada uma sensação passageira de desconforto nos primeiros dias, e a lê como parte do processo. Eu tenho ressalva com essa explicação e digo por quê em o que se sente depois de um Osatoshi: uma explicação que transforma melhora em prova de sucesso e piora em prova de que está funcionando não pode ser testada, e por isso não serve para decidir nada.
Na prática, o que isso significa para você é simples. Desconforto leve e curto, de um a três dias, é o que os relatos descrevem. Qualquer coisa mais forte, mais longa ou nova pede avaliação de saúde, e nunca deve ser explicada como limpeza.
E se alguém disser que a piora é sinal de que você precisa comprar mais trabalhos para atravessar, isso não é cuidado. É o mecanismo de venda mais antigo dessa área.
Dá para pedir por outra pessoa?
Em várias modalidades, sim. Trabalhos de família, de falecidos e de animais são pedidos por terceiros o tempo todo, por natureza.
Há uma exceção rígida na tradição: o divórcio energético de religião só pode ser pedido pela própria pessoa, nunca por outro, porque trata de um vínculo que só ela pode decidir encerrar.
E há um critério que eu aplico por conta própria, além da regra. Quando alguém quer pedir um trabalho para um adulto que não sabe de nada, quase sempre o que está em jogo é a aflição de quem pede. Isso é humano e merece atenção, mas o endereço dessa aflição é a própria pessoa que está aflita. Quem quer "resolver" um filho adulto, um marido ou uma irmã costuma sair melhor de um trabalho sobre si, e a própria tradição diz algo parecido a respeito da harmonização de duas pessoas.
Preciso contar para alguém que estou fazendo?
Não. E, no sentido prático, não há nem o que esconder: não existe material em casa, não existe horário em que você precise sumir, não existe nada visível acontecendo.
A pergunta real, quase sempre, é outra: como lidar com a reação de quem julgaria. Marido que acha bobagem, mãe que acha pecado, filha que acha que a mãe está sendo enganada. Isso é uma conversa de família, não uma questão do trabalho, e você não precisa resolvê-la para poder tentar alguma coisa.
Duas exceções em que contar ajuda. Se você faz psicoterapia, vale contar lá, porque o que você vive fora da sala também é material de sessão. E se o trabalho envolve um imóvel ou uma empresa que não são só seus, as pessoas envolvidas têm interesse legítimo em saber.
Preciso acreditar? E se eu achar tudo isso estranho?
Não precisa. Você não precisa acreditar antes, não precisa se convencer durante e não precisa concordar depois.
Se o vocabulário da tradição te soa estranho, você não está sozinha, e desconfiar é uma posição respeitável dentro de um atendimento. O que eu não faço, em hipótese nenhuma, é usar a sua descrença como explicação para um resultado que não veio.
Quanto tempo leva e quantas vezes?
A orientação da tradição é uma série de três por assunto, com pelo menos uma semana de intervalo. Isso ocupa cerca de um mês. O número cresce quando o pedido envolve mais de uma família, mais de um endereço ou mais de um falecido, e cresce muito quando o destino é uma das ativações, que exigem nove ou dez trabalhos antes.
A conta é simples de fazer, e o que interessa mais do que o número é isto: precisa existir um fim previsto. Trabalho espiritual que vira assinatura mensal indefinida deixou de ser trabalho.
E se não acontecer nada?
Essa é a pergunta mais honesta da lista e ela merece a resposta mais direta.
Pode não acontecer nada. Não existe garantia, não existe estudo, não existe mecanismo demonstrado, e ninguém pode te prometer resultado. Se depois de uma série você olhar para trás e não vir movimento nenhum, isso é uma informação legítima e não é culpa sua.
O que eu acho errado é a reação padrão a esse cenário, que costuma ser vender mais. Mais trabalhos, outra modalidade, "agora vamos precisar mexer na linhagem". Às vezes a resposta certa é encerrar e procurar outra coisa.
O que eu não posso responder
Duas coisas, e prefiro dizer antes de você perguntar.
Não posso dizer se vai funcionar para você. Nenhum terapeuta pode, em nenhuma prática, e quem diz que pode está mentindo com confiança.
E não posso explicar o mecanismo. Não existe estudo sobre Osatoshi, não existe medida, e eu não vou preencher esse vazio com palavras emprestadas da física para soar científico. O que existe é uma tradição com método próprio, relato de quem fez, e a decisão sua de experimentar ou não.
Se ficou alguma dúvida que este texto não cobriu, ela cabe no contato, inclusive as desconfortáveis. Comece pelo caminho descrito em por onde começar e veja o formato dos atendimentos em Osatoshi. Pergunta que constrange terapeuta é, quase sempre, a pergunta que você precisava fazer.
Quer conversar sobre o seu caso?
Falar comigoPerguntas frequentes
- Osatoshi é perigoso?
- Não há relato de dano físico associado à prática, até porque não há contato, substância nem procedimento sobre o corpo. O risco real é outro e é de conduta: alguém que use medo para vender, que sugira interromper tratamento ou que crie dependência. Esse risco existe em qualquer prática, inclusive nesta.
- Posso pedir um Osatoshi para outra pessoa?
- Em muitas modalidades sim, sobretudo quando envolvem família, falecidos ou animais. Há uma exceção rígida: o divórcio energético de religião só pode ser pedido pela própria pessoa. E vale um critério de bom senso: pedir por um adulto sem que ele saiba costuma dizer mais sobre a sua aflição do que sobre a necessidade dele.
- Preciso contar em casa que estou fazendo?
- Não precisa contar a ninguém. O trabalho é conduzido à distância, sem material, sem horário e sem nada visível, então não existe nada a esconder no sentido prático. A decisão de contar é sua e depende de quanto contar te custa.
- E se eu não sentir nada?
- Não sentir nada é tão comum quanto sentir. A ausência de sensação não indica que o trabalho falhou nem que deu certo. Desconfie de quem promete uma reação específica, porque isso não está sob controle de ninguém.
- Osatoshi funciona mesmo?
- Não existe estudo controlado sobre Osatoshi, então ninguém pode responder isso com honestidade científica. O que existe é uma tradição com método próprio e relato de quem fez. Quem afirma que funciona comprovadamente está afirmando o que não pode.