Pular para o conteúdo
Caio GraccoTerapias da Completude
Compartilhar

Osatoshi: o que é a prática espiritual japonesa da Shinri

Uma explicação direta do que é o Osatoshi, o que a tradição da Shinri entende por carma e por espíritos, como o trabalho é conduzido à distância e o que ele não se propõe a fazer.

Por Caio Gracco8 min de leitura

Você chegou aqui provavelmente porque ouviu a palavra em algum lugar e não achou quase nada em português que explicasse o assunto sem enrolação. Então vamos direto: Osatoshi é uma prática espiritual de origem japonesa, ligada à tradição da Shinri, conduzida à distância, que se ocupa daquilo que essa tradição chama de carma e de vínculos espirituais de uma pessoa. Não é massagem, não é terapia corporal, não é atendimento de saúde.

E vamos direto também à segunda parte, que quase ninguém escreve e que precisa vir antes de qualquer explicação bonita: o Osatoshi não é tratamento de saúde, não tem comprovação científica, não trata doença física nem transtorno mental e não substitui nenhum cuidado médico ou psicológico. É prática espiritual, no mesmo sentido em que reza, meditação e ritual são práticas espirituais. Quem oferece isso como remédio para doença está mentindo, e você merece saber disso na primeira tela, não no rodapé.

O que é a Shinri, a tradição de onde vem o Osatoshi

A Shinri é uma organização espiritual japonesa contemporânea, não uma escola milenar, e é honesto dizer isso. Segundo o que a própria tradição relata sobre si, o método foi desenvolvido pelo pesquisador japonês Masao Utsumi a partir da década de 1980, e as classes de estudo tiveram início formal em meados dos anos 2000. No Brasil, a atividade se organizou a partir dos anos 2010.

O nome que a tradição dá a si mesma pode ser traduzido de maneira aproximada como "verdade" ou "lei divina". A cosmovisão dela é a de que existe uma ordem espiritual que antecede a vida de cada pessoa, e que boa parte do que se repete numa biografia não começou nessa biografia: o mesmo tipo de relação, o mesmo tipo de perda, a mesma trava diante do dinheiro.

Isso é uma leitura de mundo, não um dado. Você pode achá-la verdadeira, achá-la falsa ou achá-la interessante sem aderir. Nenhuma dessas três posições impede alguém de fazer o trabalho, e nenhuma delas é exigida antes.

Carma, no sentido que essa tradição dá à palavra

A palavra carma circula no Brasil com um sentido de castigo, e não é assim que a Shinri a usa. Aqui, carma é mais perto de herança: aquilo que veio antes de você e chegou já formado, funcionando como um sulco por onde a vida escorre com mais facilidade do que deveria.

Uma tradição espiritual olha para esse sulco de um jeito, e uma psicóloga olha de outro. As duas leituras competem menos do que parece. Escrevi sobre a distinção entre elas em o que é carma, afinal e sobre o recorte familiar do assunto em carma familiar.

O que a tradição acrescenta é a ideia de que esse sulco tem um componente espiritual, ligado à linhagem e a compromissos anteriores, e que ele pode ser trabalhado como assunto próprio. É esse o objeto do Osatoshi. Não o sintoma. Não a doença. O que a tradição entende como raiz espiritual de um padrão.

O que a Shinri entende por espíritos ligados a uma pessoa

Esta parte costuma assustar quem chega, e ela merece ser dita com sobriedade.

A tradição trabalha com a noção de que pessoas podem estar acompanhadas por espíritos, em geral de gente que morreu com assunto pendente, muitas vezes da própria linhagem familiar. O sentido disso na Shinri não é de perseguição ou ataque, e sim de alguém que ficou preso e se apoia em quem tem corpo. O trabalho de Osatoshi é, no vocabulário da tradição, um trabalho de socorro: dirige-se ao que está ligado à pessoa e busca encaminhá-lo, em vez de expulsá-lo.

Isso muda o tom de tudo. Não há combate, não há exorcismo, não há culpado. Também não há a ideia de que você fez algo errado para atrair aquilo.

E aqui entra o limite mais importante deste texto. Muita coisa que se atribui a presença espiritual tem explicação clínica, e confundir as duas é caro. Vozes, visões, sensação de estar sendo vigiado, medo intenso que não cede, pensamento acelerado que não para: tudo isso pede avaliação de profissional de saúde antes de qualquer leitura espiritual. Trato desse recorte com mais cuidado em espírito obsessor: sinais e quando o caminho é outro e em meu problema é espiritual ou psicológico.

Como é conduzido um trabalho de Osatoshi, na prática

Tirando o vocabulário, o procedimento é bem menos misterioso do que se imagina.

  1. 1Uma conversa inicial. Você diz o que está acontecendo e o que quer tratar. Não precisa saber nomear em termos espirituais. "Isso se repete e eu não entendo por quê" já basta como ponto de partida.
  2. 2Os dados. Nome completo e data de nascimento. Dependendo do assunto, nomes de pessoas envolvidas ou da linhagem familiar. Nada além disso é necessário, e ninguém precisa de foto, objeto pessoal ou pagamento adicional para "material".
  3. 3O trabalho em si. Conduzido pelo terapeuta, de onde ele está, dentro do método da tradição. Leva um tempo próprio, e não acontece com você olhando.
  4. 4A devolutiva. Depois, o que foi percebido é comunicado a você, com a franqueza possível, inclusive quando o que aparece é "aqui o assunto não é espiritual".

O que não faz parte: previsão de futuro, garantia de resultado, promessa sobre o comportamento de outra pessoa e qualquer coisa parecida com diagnóstico. Diagnóstico é ato privativo de profissional de saúde, e nenhuma prática espiritual identifica doença.

Por que o Osatoshi é feito à distância

Não é adaptação de pandemia nem versão econômica do presencial. A tradição entende que o trabalho se dirige a um plano que não depende de proximidade física, e por isso a distância não é obstáculo. Para quem reza por alguém, o quilômetro também não conta.

Na prática, isso tem consequências concretas e boas. Você não precisa se deslocar, não precisa marcar hora vaga na agenda, não precisa estar acordada nem em silêncio, e não precisa estar em nenhum estado especial. Atendo assim pessoas de todo o Brasil, e a experiência de quem faz não muda por causa da cidade.

A contrapartida é que o Osatoshi tem menos ritual visível do que outras práticas. Quem procura a cena, a sala, o incenso, a mão sobre o corpo, costuma estranhar no começo. Se o que você quer é o contato, o caminho provavelmente é outro: Reiki à distância, que também atendo, ou uma das terapias de toque.

Quantos atendimentos, e por quê

A tradição não trabalha com sessão avulsa. A lógica é a de uma sequência: cada trabalho abre o seguinte, e o que aparece no segundo raramente estaria acessível no primeiro. Na prática, isso costuma significar alguns atendimentos espaçados ao longo de semanas, com um encerramento previsto desde o começo.

Duas coisas importam mais do que o número.

A primeira é que precisa existir um fim. Trabalho espiritual que vira assinatura mensal indefinida deixou de ser trabalho e virou dependência, inclusive financeira. Se você faz há um ano e não sabe dizer por quê, essa é a pergunta a levar para quem conduz.

A segunda é que a quantidade não é proporcional à gravidade. Não existe "caso grave demais" que peça vinte sessões, e quem sugere isso está fazendo comércio. O critério é o assunto, não o medo.

O que as pessoas relatam depois

Aqui é preciso escolher as palavras com cuidado, porque relato não é evidência. Não há estudo controlado sobre Osatoshi, não há mecanismo demonstrado e o que existe é experiência de quem fez.

Dito isso, o que se repete no que as pessoas contam é bastante consistente: sono mais fundo nas primeiras noites, uma diminuição de peso interno difícil de descrever, sensação de que uma situação parada começou a se mexer. O mais citado de todos, porém, é outro: uma mudança na relação com um assunto antigo de família, que não deixou de existir mas parou de doer do mesmo jeito.

Também é comum não sentir nada de imediato. Isso não significa que não funcionou nem que funcionou; significa apenas que a experiência não é padronizada. E há quem sinta um período de agitação ou cansaço nos primeiros dias, o que a tradição lê como movimento e que, honestamente, também poderia ser lido de outras maneiras.

Se depois de tudo isso você continua na dúvida entre um caminho espiritual e um caminho clínico, essa dúvida é saudável e não precisa ser resolvida com pressa. Ela pode ser conversada. O contato está aberto, inclusive para ouvir que o seu caso não é para mim.

O Osatoshi é pequeno no que promete e específico no que faz. Numa área cheia de gente prometendo o infinito, esse tamanho é a única coisa que vale a pena defender.

Quer conversar sobre o seu caso?

Falar comigo

Perguntas frequentes

O que é Osatoshi?
É uma prática espiritual de origem japonesa, ligada à tradição da Shinri, conduzida à distância por alguém formado nesse caminho. Ela se ocupa do que a tradição chama de carma e de vínculos espirituais de uma pessoa. Não é tratamento de saúde, não trata doença e não tem comprovação científica.
Osatoshi cura doença?
Não. O Osatoshi não trata doença física nem transtorno mental, não substitui consulta, exame, medicação ou psicoterapia, e quem o oferece como tratamento está oferecendo o que ele não é. Se existe um quadro clínico em curso, o cuidado médico continua sendo o caminho principal.
Como funciona o Osatoshi à distância?
O trabalho é conduzido sem presença física: você fornece seu nome, sua data de nascimento e o assunto que quer tratar, combina-se um período, e o terapeuta realiza o trabalho de onde está. Não há toque, não há sessão por vídeo obrigatória e você não precisa fazer nada em um horário específico.
Quantas sessões de Osatoshi são necessárias?
A tradição trabalha com uma sequência de atendimentos, não com sessão avulsa, porque entende que cada trabalho abre o seguinte. Na prática, isso costuma significar alguns atendimentos espaçados ao longo de semanas, com um encerramento previsto. Quem oferece Osatoshi como assinatura sem fim está vendendo pacote, não conduzindo trabalho.
Preciso ter alguma religião para fazer Osatoshi?
Não. O Osatoshi vem de uma tradição espiritual específica, mas não exige conversão, filiação nem abandono da sua fé. Quem procura vem de origens religiosas muito diferentes, e também há quem não tenha religião nenhuma.

Para continuar lendo

As práticas

Terapia à distância

Três das oito práticas são conduzidas à distância e as outras cinco dependem de toque. O que muda de fato, o que é adaptação e o que é promessa que não se sustenta.

6 min de leitura

Osatoshi

Osatoshi à distância

Todas as modalidades de Osatoshi são conduzidas à distância. O que isso quer dizer na prática, quais dados são pedidos, o que você faz durante e o que não é necessário fazer.

6 min de leitura

Osatoshi

Shinri: o que é

Fundação, fundador, chegada ao Brasil e vocabulário próprio, tudo atribuído à própria associação. Porque sobre a Shinri não existe uma única fonte independente, e isso precisa ser dito.

7 min de leitura

Quero iniciar minha terapia agora

Escreva contando o que está acontecendo. Eu respondo pessoalmente, sem compromisso de agendamento.

Quero iniciar minha terapia agora

(16) 99229-2629 · Segunda a sábado, mediante agendamento