Pular para o conteúdo
Caio GraccoTerapias da Completude
Compartilhar

E se a terapia não funcionou: o texto que ninguém escreve

Nem toda pessoa melhora, e isso não é culpa de quem procurou. Por que acontece, o que fazer depois e por que a resposta quase nunca é comprar mais sessões.

Por Caio Gracco6 min de leitura

Você tentou. Foi às sessões, pagou, seguiu o que combinaram, deu tempo. E continua exatamente do mesmo jeito, com o agravante de agora ter gastado dinheiro e esperança. Talvez alguém já tenha te dito que você precisa se abrir mais.

Então vamos começar por aqui: nem toda pessoa melhora, e isso não é culpa de quem procurou. Não faltou fé, não faltou abertura, não faltou merecimento. A maioria das práticas integrativas não tem evidência que garanta funcionamento, e mesmo as que têm algum respaldo funcionam para algumas pessoas e não para outras. Quem transfere para você a responsabilidade por um resultado que não veio está fazendo isso porque é mais confortável do que admitir o limite do próprio trabalho.

Por que acontece de não funcionar

Existem quatro explicações comuns, e nenhuma delas envolve defeito seu.

A primeira é a natureza do problema. Muita coisa que chega a um terapeuta integrativo é, na verdade, questão clínica. Insônia que é apneia. Cansaço que é anemia ou tireoide. Dor que tem causa estrutural. Tristeza que é depressão. Nesses casos, a prática nunca poderia ter resolvido, porque não é do território dela. Sobre essa encruzilhada escrevi em meu problema é espiritual ou psicológico.

A segunda é a escolha da prática. Quem tem tensão muscular difusa e faz um trabalho à distância pode não sentir nada, simplesmente porque o que o corpo pedia era mão. O inverso também acontece. A comparação está em qual das oito práticas é para o seu caso.

A terceira é a expectativa mal combinada. Se ninguém definiu antes o que seria uma mudança, é impossível dizer se houve. Muita frustração nasce daí, e é inteiramente evitável.

A quarta é a mais simples e a menos dita: não existe garantia. Em lugar nenhum, em prática nenhuma, nem mesmo em medicina. Tratamento com evidência forte também falha em parte das pessoas.

A frase que você não deve aceitar

"Não funcionou porque você não se abriu."

Essa frase, e todas as suas variações, é o mecanismo pelo qual um campo inteiro escapa de prestar contas. "Faltou fé." "Você resistiu ao processo." "Seu ego não permitiu." "Você não estava pronta."

Repare no desenho: se funciona, é mérito do método; se não funciona, é falha sua. Nenhuma prática que se organiza assim pode ser avaliada, porque não existe resultado que a contradiga.

Se você ouviu alguma dessas frases, o que aconteceu não foi uma leitura espiritual sobre você. Foi uma manobra, e ela está na lista de sinais de alerta em um terapeuta.

O que fazer em seguida, na ordem

Primeiro, pare de acrescentar. A reação mais comum a uma tentativa frustrada é somar outra prática por cima, e depois mais uma. Isso cansa, custa caro e impede qualquer avaliação, porque nada fica isolado o suficiente para ser julgado.

Segundo, faça uma pausa real. Algumas semanas sem nada. Isso não é desistir: é deixar de tomar decisões enquanto se está frustrada, que é o pior momento para decidir qualquer coisa.

Terceiro, volte à investigação clínica. Se existe sintoma físico, consulta e exame. Se existe sofrimento psíquico, psicólogo ou psiquiatra. Isso vem antes de escolher a próxima terapia, e não depois.

Quarto, reveja o que você estava buscando. Às vezes o pedido, dito em voz alta, é inatingível por qualquer método: que outra pessoa mude, que uma perda deixe de doer, que uma decisão fique fácil. Reconhecer isso não é derrota. É o começo de uma conversa mais útil, que muitas vezes é com uma psicóloga.

O caso específico do trabalho espiritual

Aqui a frustração tem um sabor próprio, porque a promessa costuma ser maior e a verificação, menor.

Se você fez uma série de trabalhos e não percebeu movimento nenhum, três respostas são possíveis e nenhuma delas exige que você culpe a si mesma. Pode ser que aquele não fosse o assunto. Pode ser que a prática não sirva para você. E pode ser que a leitura espiritual do problema estivesse errada desde o início, e que o assunto fosse clínico o tempo todo.

O que eu considero inaceitável é a resposta padrão do mercado nessa hora, que é vender mais: outra modalidade, mais uma linhagem, uma ativação, um trabalho maior. Se depois de uma série a proposta é sempre uma série mais cara, você não está num processo. Está num funil.

No Osatoshi, a própria tradição estabelece séries com número e intervalo definidos, o que ajuda. Mesmo assim, o critério final é seu: se acabou a série e nada se moveu, encerrar é uma resposta legítima.

Como encerrar sem constrangimento

Você não deve explicação a ninguém. "Vou parar por aqui, obrigada" é uma frase completa.

Não precisa dar justificativa, não precisa inventar motivo financeiro, não precisa prometer que volta. Também não precisa responder mensagens depois, e pode bloquear se o contato continuar.

Se o terapeuta reagir com sermão, com insistência ou com a sugestão de que parar agora é arriscado, você acaba de receber a confirmação de que estava certa em sair. Um bom profissional agradece, deixa a porta aberta e não cobra retorno.

Sobre dinheiro: resultado não é garantido em terapia nenhuma, então ausência de resultado, por si só, não gera devolução. Mas se houve promessa de cura, propaganda enganosa ou cobrança abusiva, existe base para reclamar nos órgãos de defesa do consumidor da sua cidade. Guarde prints e comprovantes.

O que eu digo quando alguém chega assim

No consultório, o que eu mais escuto de quem já tentou muita coisa é uma frase parecida com "eu não sei mais o que fazer". Ela costuma vir com vergonha, como se procurar ajuda e não melhorar fosse fracasso pessoal.

O que eu respondo é que uma sequência de tentativas frustradas diz mais sobre a complexidade do que você carrega do que sobre a sua capacidade. E que, às vezes, o passo seguinte não é outra terapia: é uma consulta que ficou para depois, uma conversa que nunca aconteceu, ou uma decisão que já estava tomada e que ninguém teve coragem de nomear.

Também digo, quando é o caso, que o meu trabalho não serve para aquilo. Encaminhar faz parte, e é uma das poucas coisas que eu tenho certeza de fazer direito.

Se você quiser conversar antes de tentar mais alguma coisa, o contato está aberto, inclusive para ouvir que o seu caso não é para mim. E se preferir se preparar melhor para a próxima tentativa, como escolher um terapeuta foi escrito exatamente para isso.

Não ter melhorado não é um julgamento sobre você. É uma informação, e informação serve para escolher melhor o próximo passo.

Quer conversar sobre o seu caso?

Falar comigo

Perguntas frequentes

Fiz várias sessões e não senti nada. A culpa é minha?
Não. Nenhuma prática funciona para todo mundo, e a maioria delas não tem evidência que garanta funcionamento para ninguém. Se alguém disser que faltou fé, abertura ou merecimento da sua parte, essa pessoa está transferindo para você a responsabilidade que era dela.
Devo insistir mais um pouco?
Depende de haver um motivo concreto, e não de insistência de outra pessoa. Um segundo ciclo curto, com o mesmo critério, é razoável. Um quarto ciclo sem qualquer mudança não é persistência, é inércia.
Por que às vezes nada funciona?
Porque o problema pode ser de outra natureza, porque a prática escolhida pode não ter relação com o que você tem, porque a expectativa pode ter sido combinada errado, ou simplesmente porque não existe garantia em nenhum lugar. Tudo isso acontece com gente séria dos dois lados.
O que faço depois de várias tentativas frustradas?
Pare de acrescentar práticas e faça uma pausa. Retome a investigação clínica do que te incomoda, com médico ou psicólogo, e reveja se o que você buscava era possível. Muitas vezes o passo seguinte não é outra terapia.
Tenho direito de pedir dinheiro de volta?
Resultado não é garantido em terapia nenhuma, então ausência de resultado, por si só, não gera devolução. Se houve promessa de cura, propaganda enganosa ou cobrança abusiva, aí existe base para reclamar nos órgãos de defesa do consumidor.

Para continuar lendo

Antes de começar

Qual terapia é para o meu caso

Uma comparação honesta das oito práticas, com o que cada uma trabalha, se é presencial ou à distância e o que ela não faz, organizada pelo que leva você a procurar ajuda.

9 min de leitura

Antes de começar

Quanto tempo leva

A pergunta certa não é quantas sessões, é em quanto tempo dá para saber se está ajudando. Prazos realistas por prática e como marcar uma reavaliação que você vá cumprir.

6 min de leitura

Antes de começar

Como escolher um terapeuta

Formação, limites declarados, preço transparente, fim previsto e coragem de encaminhar. Os critérios que separam cuidado de comércio, aplicáveis inclusive a mim.

7 min de leitura

Quero iniciar minha terapia agora

Escreva contando o que está acontecendo. Eu respondo pessoalmente, sem compromisso de agendamento.

Quero iniciar minha terapia agora

(16) 99229-2629 · Segunda a sábado, mediante agendamento