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Caio GraccoTerapias da Completude
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Quanto tempo leva uma terapia: prazos honestos por prática

A pergunta certa não é quantas sessões, é em quanto tempo dá para saber se está ajudando. Prazos realistas por prática e como marcar uma reavaliação que você vá cumprir.

Por Caio Gracco6 min de leitura

Todo mundo faz a mesma pergunta e quase ninguém recebe uma resposta que preste: quanto tempo isso vai levar? A resposta comum, "depende de cada pessoa", é verdadeira e inútil, porque não te ajuda a decidir nada.

Vou propor outra pergunta, que é a que realmente resolve: em quanto tempo dá para saber se está ajudando? Essa tem resposta. Na maioria dos casos, quatro a seis encontros, desde que exista um critério combinado antes de começar. Sem esse critério, seis meses passam, você continua indo e ninguém sabe dizer se valeu. É essa a diferença entre um processo e um hábito.

Por que "depende" costuma esconder falta de combinado

Se uma prática tem evidência, o prazo aparece nos estudos. É o caso da acupuntura na prevenção de enxaqueca, em que a revisão Cochrane fala em um curso de pelo menos seis sessões, com certeza moderada de benefício. Número que veio de pesquisa, para uma situação específica, como detalho em quantas sessões de acupuntura.

Se uma prática não tem evidência, e a maioria não tem, então não existe prazo comprovado. Reiki, shiatsu, seitai, florais, ímãs, Osatoshi: em nenhum desses casos há estudo que sustente uma dose. Qualquer número é convenção.

Isso não é motivo para não combinar número. É motivo para combinar número com outra finalidade: não para garantir efeito, mas para permitir avaliação. O prazo protege você, não o método.

Prazos razoáveis, prática por prática

Para práticas de toque com queixa física, como shiatsu, seitai ou acupuntura, três a seis sessões semanais dão um quadro razoável. Se ao fim disso nada mudou no critério combinado, insistir raramente é a melhor decisão.

Para Reiki, um ciclo curto de três ou quatro sessões semanais é o desenho mais sensato, pelas razões que explico em quantas sessões de Reiki.

Para auriculoterapia, quatro a seis sessões semanais, com os pontos permanecendo alguns dias entre uma e outra.

Para Osatoshi, a tradição trabalha com uma série de três por assunto, com pelo menos uma semana de intervalo, o que ocupa cerca de um mês. O número cresce quando o pedido envolve mais de uma família ou mais de um endereço, e a conta está feita em quantos Osatoshis são necessários.

Repare que todos esses prazos são curtos. Isso é de propósito. Ciclo curto custa menos, compromete menos e produz informação mais limpa.

Como escrever um critério que funcione

O critério precisa ser concreto o bastante para você conseguir explicá-lo a outra pessoa.

Ruim: "quero me sentir melhor". Bom: "quero conseguir dormir a noite inteira pelo menos três vezes por semana". Ruim: "quero ficar mais leve". Bom: "quero passar o dia de trabalho sem o analgésico das quatro da tarde". Ruim: "quero resolver a questão com minha mãe". Bom: "quero conseguir falar com ela ao telefone sem passar o resto do dia mal".

Escreva antes da primeira sessão e guarde. Isso parece exagero e é a coisa mais útil do processo inteiro, porque memória se ajusta ao que a gente quer acreditar, nos dois sentidos. Quem pagou tende a lembrar melhora, e quem desconfia tende a lembrar estagnação.

Na data da reavaliação, releia o que você escreveu e responda com honestidade. Três desfechos são possíveis, e os três são legítimos.

Os três desfechos, e o que fazer com cada um

Mudou de forma clara. Nesse caso, faz sentido continuar com intervalo maior, de semanal para quinzenal ou mensal, ou simplesmente encerrar e voltar se precisar. Manutenção é um combinado, não uma obrigação.

Mudou pouco, e é difícil separar do resto da vida. Um segundo ciclo curto, com o mesmo critério, e uma decisão firme no fim. Um segundo, não um quarto.

Não mudou nada. Encerre. Não troque de técnica dentro da mesma sala, não aumente a frequência, não acrescente outra prática por cima. Converse sobre outro caminho, que muitas vezes é clínico. Escrevi sobre essa hora, sem enfeite, em e se a terapia não funcionar.

Quando o tempo vira problema

Existe uma diferença entre acompanhamento e dependência, e ela é reconhecível.

Acompanhamento tem assunto declarado, intervalo espaçado e a possibilidade tranquila de parar. Você sabe dizer para que vai. Dependência é o contrário: você vai porque vai, não consegue nomear o objetivo atual, e a ideia de interromper produz desconforto.

Três perguntas revelam isso rápido. Se alguém te perguntasse hoje qual é o assunto que está sendo tratado, você saberia responder? Se você parasse por dois meses, o que exatamente aconteceria? E se a resposta a essa segunda pergunta envolve medo de que algo ruim aconteça, quem colocou esse medo aí?

Trabalho que se renova sozinho mês após mês, sem fim previsto, deixou de ser trabalho. E se alguém disser que interromper agora seria arriscado, isso não é característica de prática nenhuma: é o argumento de venda mais eficaz que existe nesse mercado.

Psicoterapia tem outro relógio

Vale separar, para não misturar coisas de naturezas diferentes.

Psicoterapia é atendimento de saúde, conduzido por profissional habilitado, com conselho que responde por ele. Processos longos ali fazem sentido, têm método por trás e são reavaliados dentro do próprio trabalho. Dizer que psicoterapia demora não é crítica: é descrição.

Prática integrativa não tem esse estatuto, e por isso precisa ser mais modesta no tempo que ocupa da sua vida e do seu orçamento. As duas convivem bem quando cada uma fica no seu tamanho.

O combinado que eu proponho

Antes de qualquer coisa, uma conversa em que definimos o assunto e o critério. Depois, um ciclo curto, com número definido e valor total informado. Na data marcada, uma conversa de avaliação em que caiba dizer que não valeu, sem que ninguém se ofenda.

Se ainda não sabe qual prática faz sentido para o seu caso, o contato fica aberto para conversar antes de agendar qualquer coisa.

Tempo é a coisa mais cara que você vai gastar com qualquer terapia, mais cara do que o dinheiro. Colocar uma data na agenda para perguntar se está valendo é a forma mais simples de não desperdiçá-lo.

Quer conversar sobre o seu caso?

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Perguntas frequentes

Em quanto tempo uma terapia integrativa começa a fazer efeito?
Não existe prazo válido para todas as práticas, e boa parte delas não tem evidência que sustente prazo nenhum. O que funciona é combinar uma reavaliação em quatro a seis encontros, com um critério definido antes de começar.
Quantas sessões até saber se está ajudando?
Quatro a seis é o intervalo razoável na maior parte dos casos. Em acupuntura para prevenção de enxaqueca, a revisão Cochrane fala em pelo menos seis sessões. Em práticas sem evidência, o número é apenas um combinado que serve para você poder avaliar.
É normal fazer terapia por anos?
Em psicoterapia, processos longos fazem sentido e são conduzidos por profissional que responde por eles. Em práticas integrativas, trabalho que corre há anos sem assunto definido e sem fim previsto costuma ser hábito ou dependência, não cuidado.
Como sei que chegou a hora de parar?
Quando o objetivo combinado foi alcançado, quando o ciclo terminou e nada mudou, ou quando você não consegue mais dizer para que está indo. Qualquer uma das três é razão suficiente, e nenhuma delas exige justificativa.
Parar no meio atrapalha o processo?
Não em prática integrativa. Se alguém disser que interromper traz risco, isso não é característica do trabalho e é um sinal de alerta claro. Você pode parar quando quiser.

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