Você achou um perfil que parece sério, está com o dedo em cima do botão de agendar e sente que deveria saber mais alguma coisa antes. Sente certo. Existe um conjunto de perguntas que cabe numa única mensagem e que evita a maior parte dos problemas que aparecem depois.
Uma observação antes da lista, e ela é a parte mais importante do texto: repare menos no conteúdo das respostas e mais na reação a ter sido perguntado. Quem responde de forma objetiva, sem se ofender e sem devolver frase mística, está te tratando como adulta. Quem trata a pergunta como desconfiança, ou como falta de fé no processo, acabou de te dar a informação de que você precisava, de graça.
As dez perguntas
- O que exatamente essa prática se propõe a fazer, e o que ela não faz? A segunda metade é a que importa. Um profissional sério declara limites sem que você insista.
- Isso tem comprovação científica? A resposta honesta varia por prática, e você merece ouvi-la. Acupuntura tem revisão indicando benefício na prevenção de enxaqueca com pelo menos seis sessões; Reiki tem revisão Cochrane concluindo que a evidência é insuficiente; Osatoshi e EMF Balancing não têm estudo nenhum. Quem responde "está tudo comprovado" não leu nada.
- Onde você se formou, quanto tempo durou e há quanto tempo atende? Em práticas sem conselho profissional, essa é uma das poucas informações verificáveis que existem.
- Quantos encontros estão previstos e quando isso encerra? Precisa existir um fim, ou pelo menos uma data de reavaliação.
- Qual o valor total até essa reavaliação? Não o valor da sessão apenas. O total, para você saber no que está entrando.
- O preço muda por urgência, por gravidade ou por pacote? Deve ser não para as duas primeiras. Se houver pacote, avalie se ele te compromete antes de você ter informação.
- Qual é a política de cancelamento e remarcação? Combinada antes, nunca descoberta na hora.
- O que eu recebo depois: conversa, texto, áudio? Sobretudo em atendimentos à distância, isso precisa estar claro.
- O que você faz se eu não perceber diferença nenhuma? A melhor pergunta da lista. A resposta ideal envolve reavaliar e, se for o caso, encaminhar. A resposta ruim envolve mais sessões.
- Como funciona o sigilo do que eu contar? Deve ser integral, mesmo sem conselho profissional por trás.
O que cada tipo de resposta revela
Resposta objetiva e curta: bom sinal. Significa que a pessoa já pensou nesses assuntos e não precisa improvisar.
Resposta que declara limite antes de você perguntar: melhor sinal ainda. Frases como "isso não trata doença", "não substitui médico nem psicólogo", "não posso garantir resultado" constroem mais confiança do que qualquer promessa. É por isso que eu escrevi textos inteiros só para delimitar tamanho, como florais funcionam.
Resposta vaga: repita a pergunta uma vez, de forma direta. Se continuar vaga, considere isso uma resposta. Quem não explica o próprio trabalho em português comum costuma ter dificuldade também para delimitá-lo.
Resposta com "confia no processo" ou equivalente: recusa de prestar contas com aparência de sabedoria. É um sinal de alerta claro.
Resposta irritada: encerre. A irritação com uma pergunta objetiva feita antes do pagamento é uma amostra pequena do que virá depois.
O que ele deveria perguntar a você
A avaliação é de mão dupla, e um bom sinal é a pessoa querer saber de você antes de aceitar te atender.
Deve ser perguntado: o que te trouxe, há quanto tempo, o que você já tentou, se existe acompanhamento médico ou psicológico em curso, quais remédios você usa, condições em acompanhamento, cirurgias recentes, gravidez, alergias, próteses e dispositivos implantados como marca-passo ou bomba de insulina.
Isso não é curiosidade. É o que define se a prática é segura para você. No caso de ímãs, é literalmente uma questão de segurança. No caso de terapias manuais, define contraindicações. E se ninguém pergunta nada disso e já parte para a técnica, a etapa que protege as duas partes foi pulada, como explico em a primeira sessão.
As perguntas que valem para casos específicos
Se você faz psicoterapia, pergunte como a pessoa vê a combinação das duas coisas. A resposta correta é que elas convivem e que nenhuma substitui a outra. Qualquer coisa parecida com "psicólogo só trata o sintoma" encerra a conversa ali.
Se você tem um tratamento em curso, pergunte se há alguma interação a considerar e diga que não pretende mexer em nada. Repare na reação.
Se o atendimento é à distância, pergunte onde ficam os seus dados, quem tem acesso e por quanto tempo são guardados. E confirme o formato do que você vai receber.
Se for trabalho espiritual, pergunte qual é o assunto do trabalho em uma frase e quantos estão previstos. No Osatoshi, por exemplo, a tradição trabalha com série de três por assunto, e as ativações exigem nove ou dez trabalhos antes, o que está detalhado em quantos Osatoshis são necessários.
A pergunta que você faz para si mesma
Depois de receber as respostas, antes de pagar, pare um minuto.
Você entendeu o que vai acontecer? Consegue explicar para outra pessoa o que contratou, quanto custa e quando termina? Se a resposta for não para qualquer uma dessas, pergunte de novo antes de seguir.
E há uma última, que é a mais desconfortável: você está decidindo com calma ou está decidindo com pressa porque está sofrendo? Quem sofre aceita promessa grande. Falar com alguém que não está envolvida antes de pagar valor alto é o antídoto mais simples que existe.
Mande essas perguntas para mim também
Não teria sentido escrever isso e me poupar.
Você pode perguntar onde eu me formei em cada uma das oito práticas, há quanto tempo atendo, quanto custa, quantos encontros estão previstos, o que acontece se nada mudar e por que eu ofereço práticas com respaldos tão diferentes entre si. Pode perguntar também o que eu não faço, e a resposta está espalhada pelo site inteiro, prática por prática, começando por qual das oito práticas é para o seu caso.
Se eu responder com evasiva, com pressa ou com irritação, aplique o mesmo critério que aplicaria a qualquer outro. O contato está aberto justamente para isso, inclusive para ouvir que o seu caso não é para mim.
Perguntar antes custa cinco minutos. Descobrir depois costuma custar meses.
Quer conversar sobre o seu caso?
Falar comigoPerguntas frequentes
- É falta de educação perguntar preço antes?
- Não, e quem trata a pergunta como deselegante já respondeu o que você precisava saber. Valor, forma de pagamento e política de cancelamento devem ser informados antes, com clareza, em qualquer prática.
- Posso perguntar sobre a formação do terapeuta?
- Pode e deve. Em práticas sem conselho profissional, essa é uma das poucas informações verificáveis que existem. Pergunte onde estudou, quanto tempo durou a formação e há quanto tempo atende.
- O que faço se a resposta for vaga?
- Repita a pergunta uma vez, de forma direta. Se continuar vaga, considere isso uma resposta. Quem não consegue explicar o próprio trabalho em português comum costuma ter dificuldade também para delimitá-lo.
- Quantas perguntas é razoável fazer antes?
- Quantas você precisar. Um profissional que se irrita com quatro ou cinco perguntas objetivas não vai lidar bem com as suas dúvidas depois, quando você já tiver pago.
- Devo contar sobre meus remédios e tratamentos logo de início?
- Sim, e vale reparar se a pessoa pergunta isso sem que você precise oferecer. Medicação, condições em acompanhamento, cirurgias recentes, gravidez, próteses e dispositivos implantados definem se a prática é segura para você.