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Caio GraccoTerapias da Completude
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O que perguntar antes de marcar uma sessão de terapia

Dez perguntas para mandar por mensagem antes de pagar qualquer coisa. O que cada resposta revela e por que a reação importa mais do que o conteúdo dela.

Por Caio Gracco6 min de leitura

Você achou um perfil que parece sério, está com o dedo em cima do botão de agendar e sente que deveria saber mais alguma coisa antes. Sente certo. Existe um conjunto de perguntas que cabe numa única mensagem e que evita a maior parte dos problemas que aparecem depois.

Uma observação antes da lista, e ela é a parte mais importante do texto: repare menos no conteúdo das respostas e mais na reação a ter sido perguntado. Quem responde de forma objetiva, sem se ofender e sem devolver frase mística, está te tratando como adulta. Quem trata a pergunta como desconfiança, ou como falta de fé no processo, acabou de te dar a informação de que você precisava, de graça.

As dez perguntas

  • O que exatamente essa prática se propõe a fazer, e o que ela não faz? A segunda metade é a que importa. Um profissional sério declara limites sem que você insista.
  • Isso tem comprovação científica? A resposta honesta varia por prática, e você merece ouvi-la. Acupuntura tem revisão indicando benefício na prevenção de enxaqueca com pelo menos seis sessões; Reiki tem revisão Cochrane concluindo que a evidência é insuficiente; Osatoshi e EMF Balancing não têm estudo nenhum. Quem responde "está tudo comprovado" não leu nada.
  • Onde você se formou, quanto tempo durou e há quanto tempo atende? Em práticas sem conselho profissional, essa é uma das poucas informações verificáveis que existem.
  • Quantos encontros estão previstos e quando isso encerra? Precisa existir um fim, ou pelo menos uma data de reavaliação.
  • Qual o valor total até essa reavaliação? Não o valor da sessão apenas. O total, para você saber no que está entrando.
  • O preço muda por urgência, por gravidade ou por pacote? Deve ser não para as duas primeiras. Se houver pacote, avalie se ele te compromete antes de você ter informação.
  • Qual é a política de cancelamento e remarcação? Combinada antes, nunca descoberta na hora.
  • O que eu recebo depois: conversa, texto, áudio? Sobretudo em atendimentos à distância, isso precisa estar claro.
  • O que você faz se eu não perceber diferença nenhuma? A melhor pergunta da lista. A resposta ideal envolve reavaliar e, se for o caso, encaminhar. A resposta ruim envolve mais sessões.
  • Como funciona o sigilo do que eu contar? Deve ser integral, mesmo sem conselho profissional por trás.

O que cada tipo de resposta revela

Resposta objetiva e curta: bom sinal. Significa que a pessoa já pensou nesses assuntos e não precisa improvisar.

Resposta que declara limite antes de você perguntar: melhor sinal ainda. Frases como "isso não trata doença", "não substitui médico nem psicólogo", "não posso garantir resultado" constroem mais confiança do que qualquer promessa. É por isso que eu escrevi textos inteiros só para delimitar tamanho, como florais funcionam.

Resposta vaga: repita a pergunta uma vez, de forma direta. Se continuar vaga, considere isso uma resposta. Quem não explica o próprio trabalho em português comum costuma ter dificuldade também para delimitá-lo.

Resposta com "confia no processo" ou equivalente: recusa de prestar contas com aparência de sabedoria. É um sinal de alerta claro.

Resposta irritada: encerre. A irritação com uma pergunta objetiva feita antes do pagamento é uma amostra pequena do que virá depois.

O que ele deveria perguntar a você

A avaliação é de mão dupla, e um bom sinal é a pessoa querer saber de você antes de aceitar te atender.

Deve ser perguntado: o que te trouxe, há quanto tempo, o que você já tentou, se existe acompanhamento médico ou psicológico em curso, quais remédios você usa, condições em acompanhamento, cirurgias recentes, gravidez, alergias, próteses e dispositivos implantados como marca-passo ou bomba de insulina.

Isso não é curiosidade. É o que define se a prática é segura para você. No caso de ímãs, é literalmente uma questão de segurança. No caso de terapias manuais, define contraindicações. E se ninguém pergunta nada disso e já parte para a técnica, a etapa que protege as duas partes foi pulada, como explico em a primeira sessão.

As perguntas que valem para casos específicos

Se você faz psicoterapia, pergunte como a pessoa vê a combinação das duas coisas. A resposta correta é que elas convivem e que nenhuma substitui a outra. Qualquer coisa parecida com "psicólogo só trata o sintoma" encerra a conversa ali.

Se você tem um tratamento em curso, pergunte se há alguma interação a considerar e diga que não pretende mexer em nada. Repare na reação.

Se o atendimento é à distância, pergunte onde ficam os seus dados, quem tem acesso e por quanto tempo são guardados. E confirme o formato do que você vai receber.

Se for trabalho espiritual, pergunte qual é o assunto do trabalho em uma frase e quantos estão previstos. No Osatoshi, por exemplo, a tradição trabalha com série de três por assunto, e as ativações exigem nove ou dez trabalhos antes, o que está detalhado em quantos Osatoshis são necessários.

A pergunta que você faz para si mesma

Depois de receber as respostas, antes de pagar, pare um minuto.

Você entendeu o que vai acontecer? Consegue explicar para outra pessoa o que contratou, quanto custa e quando termina? Se a resposta for não para qualquer uma dessas, pergunte de novo antes de seguir.

E há uma última, que é a mais desconfortável: você está decidindo com calma ou está decidindo com pressa porque está sofrendo? Quem sofre aceita promessa grande. Falar com alguém que não está envolvida antes de pagar valor alto é o antídoto mais simples que existe.

Mande essas perguntas para mim também

Não teria sentido escrever isso e me poupar.

Você pode perguntar onde eu me formei em cada uma das oito práticas, há quanto tempo atendo, quanto custa, quantos encontros estão previstos, o que acontece se nada mudar e por que eu ofereço práticas com respaldos tão diferentes entre si. Pode perguntar também o que eu não faço, e a resposta está espalhada pelo site inteiro, prática por prática, começando por qual das oito práticas é para o seu caso.

Se eu responder com evasiva, com pressa ou com irritação, aplique o mesmo critério que aplicaria a qualquer outro. O contato está aberto justamente para isso, inclusive para ouvir que o seu caso não é para mim.

Perguntar antes custa cinco minutos. Descobrir depois costuma custar meses.

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Perguntas frequentes

É falta de educação perguntar preço antes?
Não, e quem trata a pergunta como deselegante já respondeu o que você precisava saber. Valor, forma de pagamento e política de cancelamento devem ser informados antes, com clareza, em qualquer prática.
Posso perguntar sobre a formação do terapeuta?
Pode e deve. Em práticas sem conselho profissional, essa é uma das poucas informações verificáveis que existem. Pergunte onde estudou, quanto tempo durou a formação e há quanto tempo atende.
O que faço se a resposta for vaga?
Repita a pergunta uma vez, de forma direta. Se continuar vaga, considere isso uma resposta. Quem não consegue explicar o próprio trabalho em português comum costuma ter dificuldade também para delimitá-lo.
Quantas perguntas é razoável fazer antes?
Quantas você precisar. Um profissional que se irrita com quatro ou cinco perguntas objetivas não vai lidar bem com as suas dúvidas depois, quando você já tiver pago.
Devo contar sobre meus remédios e tratamentos logo de início?
Sim, e vale reparar se a pessoa pergunta isso sem que você precise oferecer. Medicação, condições em acompanhamento, cirurgias recentes, gravidez, próteses e dispositivos implantados definem se a prática é segura para você.

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