Pular para o conteúdo
Caio GraccoTerapias da Completude
Compartilhar

Pressão alta e emoção: o que muda e o que não se abandona

Emoção altera a pressão no momento, e hipertensão é outra coisa. Remédio de pressão não se suspende por nenhum motivo espiritual ou terapêutico. O que dá para fazer junto ao tratamento.

Por Caio Gracco7 min de leitura

Este texto começa pela informação mais importante dele, e ela não é negociável: remédio de pressão não se abandona. Não se suspende, não se reduz e não se pula por causa de nenhuma terapia, de nenhuma prática espiritual e de nenhuma melhora que você sinta. Se você está usando anti-hipertensivo e acha que está pronta para diminuir, essa conversa é com o médico que prescreveu, e só com ele. Nenhum terapeuta tem competência ou autoridade para opinar sobre isso, e quem opina está colocando você em risco.

O motivo é direto. A hipertensão costuma não dar sintoma. A pessoa se sente bem, conclui que não precisa mais, interrompe, e a pressão volta a subir em silêncio, danificando vaso, coração, rim e cérebro ao longo do tempo. As consequências disso são acidente vascular cerebral, infarto, insuficiência cardíaca e doença renal. Não é dramatização: é o que se sabe há décadas.

Dito isso com todas as letras, dá para conversar sobre o que a emoção realmente faz com a pressão e sobre o que cabe junto ao tratamento.

O que a emoção faz com a pressão

Uma discussão, um susto, uma consulta médica, uma notícia ruim. Todos elevam a pressão naquele momento, por meio de uma resposta fisiológica conhecida: aumento de frequência cardíaca, constrição de vasos, liberação de hormônios de estresse. Isso é normal e acontece com qualquer pessoa, tenha ela hipertensão ou não.

O que essa elevação momentânea não é: diagnóstico. Uma medida alta num dia de estresse não define hipertensão, e é por isso que o diagnóstico é feito com medidas repetidas, em condições padronizadas, e frequentemente com monitoramento fora do consultório.

Existe inclusive um fenômeno bem descrito, a elevação da pressão apenas no ambiente de consulta, que é uma das razões pelas quais a medida em casa ou o exame de vinte e quatro horas fazem parte da avaliação.

Já a relação entre estresse crônico e hipertensão sustentada é mais indireta do que o senso comum sugere. O que o estresse prolongado faz de forma consistente é piorar tudo o que influencia a pressão: sono, alimentação, atividade física, consumo de álcool e de tabaco, peso corporal e adesão ao tratamento. Cuidar disso importa. Mas chamar hipertensão de doença emocional é impreciso e perigoso, porque abre a porta para trocar o tratamento por relaxamento.

O que tem sustentação no cuidado da pressão

O tratamento é conduzido por médico e costuma combinar medicação, quando indicada, com mudanças de estilo de vida que têm efeito conhecido. Vale saber quais são, porque essas você pode conversar com quem acompanha você.

Redução de sal. É a medida alimentar com efeito mais consistente, e a maior parte do sal da dieta vem de alimentos industrializados, não do saleiro.

Atividade física regular, dentro do que for liberado para o seu caso.

Peso corporal, quando há indicação de redução.

Álcool em menor quantidade e abandono do tabagismo.

Sono. Apneia obstrutiva do sono está associada a pressão de difícil controle, e quem ronca, tem pausas na respiração e acorda cansado merece investigação. Isso conversa com insônia: o que fazer.

Medida correta em casa. Aparelho validado, braço apoiado na altura do coração, sem falar durante a medida, depois de cinco minutos sentada, sem café ou cigarro na hora anterior. Anotar os valores e levar à consulta muda a qualidade do acompanhamento.

Adesão ao tratamento. Esquecer doses é o problema mais comum e o menos falado. Vale usar alarme, caixinha organizadora ou vincular o remédio a um hábito fixo do dia.

Por que a promessa de largar o remédio é tão sedutora

Vale nomear isso, porque é o mecanismo que mais faz vítima nesse assunto.

Ninguém gosta de tomar remédio todo dia. Existe o custo, existe o efeito colateral, existe a sensação de estar preso a alguma coisa, e existe uma ideia bastante difundida de que remédio é artificial e prática natural é melhor. Quem oferece a possibilidade de se livrar disso está oferecendo alívio para um incômodo real, e por isso é ouvido.

Só que a conta chega. Hipertensão descontrolada não avisa. Ela não dói, não incomoda e vai danificando em silêncio, até o dia em que alguém tem um evento grave. A pessoa que sugeriu a interrupção não estará junto nesse dia, e o custo será todo seu.

Se algum profissional já sugeriu a você reduzir ou suspender medicação, esse é um sinal de alerta claro sobre a conduta dele, e motivo suficiente para procurar outro.

O que uma terapia complementar pode oferecer junto ao tratamento

Com o acompanhamento médico em andamento e com a concordância de quem prescreve, existe espaço para cuidar de outra coisa: uma pessoa que vive em alerta, dorme mal e não para.

O que se pode oferecer com honestidade é alívio de tensão muscular, relaxamento durante e depois da sessão, e um espaço de cuidado. O Reiki está na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares desde 2017, e a revisão Cochrane de 2015 sobre depressão e ansiedade concluiu que os estudos disponíveis são poucos e de baixa qualidade. Falo dele por relatos, não por eficácia. O Shiatsu não consta nominalmente da política: o que está lá desde 2006 é a medicina tradicional chinesa, campo do qual ele é vizinho, com evidência fraca e relatos consistentes de alívio de tensão.

O que nenhuma prática faz: tratar hipertensão, baixar pressão de forma sustentada, prevenir complicação cardiovascular, dispensar consulta ou justificar qualquer alteração de dose. Se alguém disser o contrário, saia da sala.

Vale um cuidado prático: informe ao terapeuta que você tem hipertensão e o que usa. Isso muda posições, ritmo da sessão e o modo de levantar da maca ao final, porque tontura ao levantar é comum em quem usa certos medicamentos. Um profissional que não pergunta isso não está atento ao que importa. Sobre juntar cuidados sem trocar um pelo outro, escrevi em terapia integrativa junto com tratamento médico.

O que costuma estar por trás do estado de alerta

Depois de tudo isso, ainda sobra uma pergunta legítima: por que você vive tensa. Ela não tem resposta médica e não deve competir com o tratamento, mas merece lugar.

Trabalho que não permite pausa. Cuidado com pai ou mãe idosos que já dura anos. Dinheiro apertado todo mês. Uma convivência difícil dentro de casa. Nenhuma dessas coisas se resolve com relaxamento pontual, e todas elas mantêm o corpo em prontidão. Sobre isso, ambiente de trabalho que adoece e cuidar dos pais idosos tratam do assunto de frente.

Cuidar disso é legítimo e faz diferença na vida. Só não pode ocupar o lugar do que já está funcionando. Tome o remédio, meça a pressão, vá às consultas, e cuide do resto em paralelo. As duas coisas juntas, sempre, e nunca uma no lugar da outra.

Quer conversar sobre o seu caso?

Falar comigo

Perguntas frequentes

Posso parar o remédio de pressão se eu melhorar o emocional?
Não. Anti-hipertensivo não se suspende nem se reduz por conta própria, em nenhuma hipótese, e nenhum terapeuta tem autoridade para sugerir isso. A pressão pode estar controlada justamente porque o remédio está agindo, e interromper costuma levar a novas elevações, muitas vezes sem sintoma nenhum. Qualquer mudança é decisão de quem prescreveu.
Estresse causa hipertensão?
Estresse eleva a pressão no momento, isso é bem conhecido. A relação com hipertensão sustentada é mais complexa e envolve o que o estresse produz ao longo do tempo: sono ruim, sedentarismo, alimentação pior, mais álcool, mais tabaco, mais peso. Reduzir o estresse ajuda no conjunto, mas não é tratamento de hipertensão.
Pressão alta dá sintoma?
Na maior parte das vezes não dá, e é justamente por isso que a hipertensão é chamada de silenciosa. Muita gente descobre em consulta de rotina ou depois de uma complicação. Dor de cabeça, tontura e mal-estar podem ocorrer, mas confiar em sintoma para saber se a pressão está boa é um erro perigoso.
Terapia complementar ajuda na pressão alta?
O que se pode dizer com honestidade é que práticas de relaxamento oferecem alívio de tensão e relatos de bem-estar. Isso não trata hipertensão, não substitui medicação e não deve ser usado como motivo para reduzir dose. Elas entram junto ao tratamento, com a autorização de quem acompanha você.

Para continuar lendo

Corpo e sintomas

Cansaço que dormir não resolve

Você dorme e acorda cansada do mesmo jeito. Antes de chamar isso de esgotamento espiritual, há uma lista clínica para descartar. E depois dela ainda sobra assunto.

7 min de leitura

Corpo e sintomas

Fibromialgia: conviver

Fibromialgia é uma condição real, reconhecida e com tratamento. Quem conduz é o reumatologista. O que ajuda no dia a dia e o que uma terapia complementar pode oferecer junto.

7 min de leitura

Corpo e sintomas

Imunidade baixa e cansaço

Gripar toda hora, herpes que volta, cansaço que não cede. Antes de comprar vitamina, é preciso investigar. O que o médico precisa checar e o que realmente sustenta a defesa do corpo.

6 min de leitura

Quero iniciar minha terapia agora

Escreva contando o que está acontecendo. Eu respondo pessoalmente, sem compromisso de agendamento.

Quero iniciar minha terapia agora

(16) 99229-2629 · Segunda a sábado, mediante agendamento