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Caio GraccoTerapias da Completude
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Osatoshi de Ativação da Saúde e Vitalidade: o que é, e os limites

O tipo mais delicado do sistema. A própria tradição orienta que ele seja recebido depois ou durante os devidos tratamentos médicos, e é por esse limite que este texto começa.

Por Caio Gracco7 min de leitura

Este é o texto mais cuidadoso deste site, e o motivo é simples: é o assunto em que mais gente se machuca. Quando alguém está sem disposição há muito tempo, ou quando está enfrentando algo difícil no corpo, a vontade de encontrar uma explicação que resolva tudo fica enorme. É exatamente nesse ponto que aparecem promessas que não deveriam existir.

Então a resposta principal vem antes de qualquer explicação. O Osatoshi é prática espiritual, não é tratamento de saúde, não tem comprovação científica de nenhum tipo e não trata, não melhora e não previne nenhuma condição clínica. E há um detalhe que precisa vir logo: a própria tradição da Shinri, ao descrever esse trabalho, orienta que ele seja recebido depois ou durante os devidos tratamentos médicos. Não no lugar deles. Não antes deles. Esse é o eixo deste texto, e é a cláusula mais honesta que existe em todo o sistema.

A ordem que a própria tradição estabelece

Insisto nesse ponto porque ele é incomum.

Boa parte do mercado de práticas espirituais e alternativas no Brasil funciona construindo uma oposição: de um lado a medicina, de outro o caminho verdadeiro. Você já ouviu variações disso: que o médico só trata sintoma, que a raiz é outra, que o remédio mascara. Esse discurso é o que faz gente adiar consulta, abandonar tratamento e chegar tarde onde precisava chegar cedo.

A tradição da Shinri, especificamente neste tipo de trabalho, faz o contrário: ela estabelece que o cuidado médico é o que vem primeiro, e coloca o próprio trabalho espiritual em posição secundária e simultânea. É a única modalidade do sistema em que a tradição fixa essa ordem explicitamente, e por isso ela merece ser repetida em vez de escondida no rodapé.

Se você está em acompanhamento clínico, esse acompanhamento continua sendo o principal. Se você tem um sintoma que ainda não foi investigado, o primeiro endereço é o consultório médico. Escrevi sobre como práticas integrativas convivem com tratamento em terapia integrativa junto com tratamento médico, e o resumo é curto: convivem ao lado, nunca no lugar.

Sobre a busca por disposição

Feita a parte que importa mais, falo do que efetivamente move as pessoas até esse assunto.

O que mais aparece não é uma questão dramática. É o cansaço que não vai embora. Gente que dorme e acorda sem ter descansado, que faz o essencial do dia e não sobra nada, que já não reconhece nela mesma a disposição que tinha alguns anos atrás. Muitas vezes a pessoa já foi ao médico, já fez exames, já ouviu que está tudo dentro do esperado. E continua se sentindo assim.

Isso, por si só, não significa que a explicação seja espiritual. Existe uma lista longa de coisas concretas que produzem exatamente esse quadro e que não aparecem em exame nenhum: dormir mal por anos, trabalhar em ambiente que adoece, carregar sozinha o cuidado de outras pessoas, não ter tempo livre de verdade há muito tempo, viver com uma preocupação financeira constante, do tipo que descrevi em bloqueio financeiro. Nenhuma dessas coisas é resolvida por trabalho espiritual, e todas elas explicam mais casos do que qualquer leitura energética.

Tratei desse território em cansaço que dormir não resolve e em corpo dói tudo e os exames deram normais, e recomendo os dois antes deste assunto.

O que a tradição propõe nesse trabalho

Descrevo o que a tradição diz, atribuindo, e sem endossar como fato.

A Shinri parte da premissa de que existem vínculos espirituais que pesam sobre uma pessoa: espíritos presos, questões vindas da linhagem, situações não resolvidas de antepassados. O trabalho de Osatoshi se dirige a isso pelo que a tradição chama de salvação, que ali nunca significa expulsar e sim conduzir ao encaminhamento, conforme expliquei em salvação de espíritos na tradição japonesa.

O que a tradição chama de Ativação da Saúde e Vitalidade é apresentado como um trabalho voltado à disposição e à vitalidade da pessoa, feito depois que uma sequência longa de outros trabalhos já foi realizada. A palavra usada é ativação, e não tratamento. Essa distinção de vocabulário, na própria tradição, existe por alguma razão.

Nada disso é verificável. Não existe estudo, não existe fonte independente sobre a Shinri, não existe mecanismo demonstrado. Quem faz, faz por sentido próprio, sabendo exatamente disso.

Os nove trabalhos que vêm antes

Esta é a parte que separa informação de propaganda, e por isso ela está aqui.

A ativação não é o ponto de entrada do sistema. A tradição estabelece um caminho anterior, e ele é longo:

  1. 1Três Osatoshis individuais voltados a esse tema, que é o trabalho de base de todo o sistema.
  2. 2Três Osatoshis de ancestrais, dirigidos aos antepassados que a tradição descreve como em sofrimento.
  3. 3Três Osatoshis de vingativos de ancestrais, ligados ao que se costuma chamar de carma familiar.

São cerca de nove trabalhos antes da ativação propriamente dita, cada série com pelo menos uma semana de intervalo entre os atendimentos. Ou seja: meses.

Digo isso porque é exatamente o tipo de informação que costuma ser omitida. Quem oferece a ativação como primeiro passo, como sessão avulsa ou como resposta rápida está pulando o que a própria tradição estabelece. E quem pula isso provavelmente está disposto a pular outras coisas.

O que muda e o que não muda

Sobre resultados, o que se pode dizer é limitado, e é assim que precisa ser dito.

Não há estudo sobre Osatoshi. O que existe é relato de quem fez, e relato não é evidência de nada. O que aparece com mais frequência nesses relatos: sono mais fundo nas primeiras noites, sensação de peso interno menor, uma disposição um pouco maior para fazer coisas que estavam paradas. Há também quem descreva os primeiros dias com náusea, dor de cabeça ou sensação de piora momentânea. A tradição lê isso como limpeza, e é honesto dizer que existem outras leituras possíveis para o mesmo fenômeno.

E há quem não sinta absolutamente nada. Isso acontece, e quem conduz um trabalho desses deve avisar antes.

O que não muda, em nenhuma hipótese: nada do que acontece em um trabalho espiritual altera um quadro clínico, dispensa uma consulta, substitui uma medicação ou justifica adiar um exame. Se alguma coisa mudar no seu corpo durante um processo desses, quem avalia isso é o profissional que acompanha você.

Se você está passando por algo difícil no corpo, o cuidado principal já tem endereço, e ele não é aqui. O que uma prática espiritual pode oferecer, quando oferece, é companhia para o que sobra depois que o tratamento está em curso. Conhecer esse tamanho é o que permite oferecer sem enganar ninguém.

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Perguntas frequentes

O Osatoshi trata doença?
Não. Osatoshi é prática espiritual, não é tratamento de saúde, não tem comprovação científica e não trata, não melhora e não previne condição clínica nenhuma. Quem o oferece como tratamento está oferecendo o que ele não é.
Então o que é a Ativação da Saúde e Vitalidade?
É um dos trabalhos que a tradição da Shinri oferece, voltado ao que ela chama de disposição e vitalidade. A própria associação orienta que ele seja recebido depois ou durante os devidos tratamentos médicos, nunca no lugar deles.
Posso fazer esse trabalho em vez do tratamento que meu médico indicou?
Não. E se alguém sugerir isso a você, saia de perto dessa pessoa. Interromper ou adiar tratamento por orientação de terapeuta é situação de risco real, e nenhum profissional sério faz esse tipo de recomendação.
Quantos trabalhos são exigidos antes da ativação?
Cerca de nove: três Osatoshis individuais voltados a esse tema, três de ancestrais e três de vingativos de ancestrais. A ativação não é o ponto de partida do sistema, e quem oferece direto está pulando o que a própria tradição estabelece.
Estou sem disposição há meses. Devo procurar isso?
Antes de qualquer coisa, procure atendimento médico. Cansaço persistente tem uma lista longa de causas investigáveis, e nenhuma delas se resolve com trabalho espiritual. Só depois de investigado é que faz sentido considerar qualquer outra coisa.

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