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Caio GraccoTerapias da Completude
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Menopausa: o corpo mudando de lugar e o que fazer com isso

Calor, insônia, humor instável, corpo diferente. Menopausa é assunto de ginecologista, e existe tratamento. O que conversar na consulta e o que cabe junto, sem desestimular nada.

Por Caio Gracco7 min de leitura

Você acorda encharcada às três da manhã. O calor sobe do nada no meio de uma reunião. O sono nunca mais foi o mesmo, a paciência encurtou, o corpo mudou de forma sem que a rotina tenha mudado, e há dias em que você não se reconhece. A primeira orientação deste texto é simples e vale mais do que qualquer lista: marque uma consulta com ginecologista. Menopausa não é algo a ser suportado em silêncio, tem avaliação própria e tem tratamento, inclusive medicamentoso.

A segunda coisa importante, porque muita mulher chega aqui já convencida do contrário: terapia hormonal existe, é um tratamento estabelecido e a decisão sobre ela é médica e individual. Descartá-la por causa do que se ouviu falar, sem conversar com quem pode avaliar o seu caso, é abrir mão de uma possibilidade real. Este texto não vai desestimular nada. Vai sugerir que a conversa aconteça com quem tem competência para conduzi-la.

O que está acontecendo no corpo

Vale um pouco de vocabulário, porque isso ajuda na consulta.

Climatério é o período de transição, que pode durar anos, em que a função ovariana vai se modificando. Perimenopausa é a fase de sintomas e ciclos irregulares que antecede a parada. Menopausa é o marco: a última menstruação, confirmada depois de doze meses sem ciclo. Pós-menopausa é o tempo que vem depois.

Os sintomas mais frequentes incluem ondas de calor e suores noturnos, alteração do sono, oscilação de humor, irritabilidade e ansiedade, dificuldade de concentração e queixas de memória, ressecamento vaginal e dor na relação, redução da libido, alterações urinárias, dores articulares, mudanças na pele e no cabelo e alteração da composição corporal.

Duas coisas costumam surpreender. A primeira é a duração: sintomas vasomotores podem persistir por anos, e isso é bem descrito. A segunda é que os sintomas geniturinários, ao contrário dos calores, tendem a piorar com o tempo se não forem tratados. Eles têm tratamento local eficaz e específico, e é uma pena que tanta gente conviva com isso em silêncio por vergonha de falar.

Há ainda o que acontece fora do que se sente: mudanças no metabolismo ósseo, com risco aumentado de osteoporose, e mudanças no perfil cardiovascular. Por isso a consulta não é só sobre alívio de sintoma, é também sobre prevenção.

O que conversar na consulta

A consulta rende muito mais quando você chega preparada, e a maior parte das mulheres relata que os sintomas foram minimizados em algum momento. Levar informação organizada muda isso.

Anote por algumas semanas: quantas ondas de calor por dia e à noite, o quanto atrapalham; como está o sono, quantos despertares, a que horas; humor, irritabilidade, ansiedade; sintomas vaginais e urinários, inclusive dor na relação; alteração de ciclo, se ainda menstrua; dores articulares; e o impacto de tudo isso no trabalho e na vida.

Leve o histórico pessoal e familiar: câncer de mama, trombose, doença cardiovascular, enxaqueca com aura, pressão, diabetes, tabagismo, osteoporose. Isso é o que orienta a decisão sobre tratamento.

E pergunte diretamente. Se a terapia hormonal é uma opção no seu caso e por quê. Quais alternativas não hormonais existem para os seus sintomas principais. Se há indicação de tratamento local para sintomas vaginais, que é uma conversa à parte e frequentemente possível mesmo para quem não pode usar hormônio sistêmico. Quais exames de rastreamento estão indicados para a sua idade. Como cuidar de osso e de coração daqui para a frente.

Se você sair da consulta com a sensação de ter sido dispensada com um é da idade, procure outra opinião. Isso não é teimosia, é o que se faz quando o problema persiste.

O que ajuda no dia a dia

Nada aqui trata menopausa, e isso não é o que está sendo proposto. São medidas que costumam entrar em qualquer orientação e que somam ao tratamento.

Sono como prioridade. Quarto fresco, roupa de cama leve, horário estável, menos álcool à noite. Álcool piora onda de calor e fragmenta a segunda metade da noite. Se a insônia já está instalada, insônia: o que fazer trata do assunto.

Movimento com carga. Exercício de força é uma das recomendações mais importantes desse período, por causa de osso e de massa muscular. Precisa de orientação profissional e precisa de constância.

Gatilhos de calor. Bebida quente, álcool, comida apimentada, ambiente abafado e estresse aparecem com frequência. Vale identificar os seus, com um registro simples.

Alimentação com proteína adequada e cálcio, além da avaliação de vitamina D com quem acompanha você.

Tabaco. Fumar antecipa a menopausa e piora praticamente tudo nesse período.

Falar sobre sexo. Ressecamento e dor têm solução, e lubrificantes, hidratantes vaginais e tratamentos locais fazem parte do cuidado. Se a relação já esfriou por causa disso, o assunto está em relação sem sexo.

O que uma terapia complementar pode oferecer

Com o acompanhamento ginecológico em andamento, sobra espaço para cuidar de uma mulher que está dormindo mal e vivendo tensa há meses.

A acupuntura sistêmica está na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares desde 2006 e tem literatura própria, com evidência mais consistente em alguns quadros de dor, como indica a revisão Cochrane de Linde e colaboradores, registro CD001218, para prevenção de enxaqueca. Para sintomas de menopausa, o que se pode dizer com honestidade é que há relatos de bem-estar e alívio de tensão, e não mais do que isso.

O que o toque terapêutico oferece com mais consistência é alívio de tensão muscular e relaxamento. O Shiatsu não consta nominalmente da política nacional, tem evidência fraca e relatos consistentes nesse sentido. O Reiki está na política desde 2017, com estudos poucos e de baixa qualidade segundo a revisão Cochrane de 2015 sobre depressão e ansiedade.

O que nenhuma dessas práticas faz: repor hormônio, tratar menopausa, prevenir osteoporose, eliminar ondas de calor ou substituir a avaliação médica. E nenhuma delas justifica recusar um tratamento indicado. Sobre juntar cuidados sem trocar um pelo outro, escrevi em terapia integrativa junto com tratamento médico.

A parte que não é hormonal

Existe algo nesse período que os exames não medem. Muita mulher chega à menopausa junto com uma pilha de outras coisas: filhos saindo de casa, pais adoecendo, carreira em revisão, casamento em pergunta, corpo que passou a ser olhado de outro jeito pelo mundo.

Isso não é sintoma de menopausa e não se resolve com hormônio. Merece nome próprio e merece espaço. Para muitas mulheres, esse é justamente o momento em que aparecem perguntas que ficaram guardadas por vinte anos, e nem todas elas são ruins. Sobre esse terreno, recomeçar depois dos 50 conversa de frente.

O corpo está mudando de lugar, e isso é fato. O que não precisa mudar de lugar é o direito de ser levada a sério, de ser tratada e de continuar tendo uma vida com sono, com desejo e com energia. Isso se pede na consulta, com todas as letras.

Quer conversar sobre o seu caso?

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Perguntas frequentes

Quais são os sintomas mais comuns da menopausa?
Ondas de calor e suores noturnos, alteração do sono, mudanças de humor e de memória, ressecamento vaginal e dor na relação, alteração do ciclo antes da parada definitiva, mudanças na pele e no cabelo, dores articulares e alteração da distribuição de gordura. A intensidade varia muito de mulher para mulher.
Terapia hormonal faz mal?
Essa é uma decisão médica, individual, e não uma questão de opinião. A terapia hormonal é um tratamento estabelecido, com indicações, contraindicações e benefícios conhecidos, e a leitura da literatura mudou bastante nos últimos anos. Quem avalia risco e benefício no seu caso é o ginecologista. Descartá-la sem conversar é perder uma possibilidade real.
Menopausa causa depressão?
Existe maior vulnerabilidade a sintomas depressivos nesse período, e isso é reconhecido. Vale levar a sério e não atribuir tudo automaticamente aos hormônios, porque quadros depressivos têm tratamento próprio e resultado conhecido. Sono ruim persistente também piora humor e concentração e merece atenção separada.
Acupuntura ajuda nos sintomas da menopausa?
A acupuntura está na política nacional desde 2006 e tem literatura própria, com evidência mais consistente em alguns quadros de dor. Para sintomas de menopausa, o que se pode dizer com honestidade é que há relatos de bem-estar e alívio de tensão. Ela não substitui a avaliação ginecológica nem o tratamento indicado.

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