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Caio GraccoTerapias da Completude
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Divórcio e os filhos no meio: o que protege as crianças

A pergunta que mais trava uma separação é o que ela vai fazer com as crianças. O que a experiência mostra sobre isso, como contar, o que evitar e onde o caminho é jurídico.

Por Caio Gracco6 min de leitura

A conta você já fez. Sabe que a relação acabou, sabe onde vai morar, sabe até quanto vai apertar. O que trava é uma frase: e as crianças. Você imagina a cara do seu filho de sete anos ouvindo aquilo e adia mais um mês, depois mais um.

A resposta mais honesta que existe sobre isso é também a mais útil. O que costuma marcar uma criança não é a separação em si. É o nível de conflito entre os pais, antes, durante e principalmente depois. Duas casas organizadas, com adultos que conseguem se falar sobre horário de escola, são um ambiente bem melhor do que uma casa só com guerra dentro. Isso não torna a separação indolor. Torna a pergunta mais precisa: não é se separar ou não, é como separar.

Como contar

Se der, contem juntos, uma vez, com um roteiro combinado antes. Se não der, cada um conta a mesma coisa. O conteúdo precisa ser concreto, porque criança se organiza pelo concreto.

Diga o que muda: quem vai morar onde, como vai ser a semana, quando ela vai ver cada um, o que acontece com a escola e com o quarto dela. Diga o que continua: os dois seguem sendo pai e mãe, os dois continuam gostando dela, a decisão é de adultos e a culpa não é dela. Essa última frase precisa ser dita literalmente, porque crianças pequenas fazem contas erradas com uma facilidade impressionante.

Não entregue o conteúdo do conflito. Traição, dinheiro, mentira, tudo isso é assunto de adulto. Não peça opinião nem escolha. E não prometa o que não depende só de você, como "seu pai vai continuar vindo todo sábado".

Depois da conversa, espere as perguntas chegarem aos poucos, em momentos aleatórios, semanas depois. É assim que criança processa.

Os erros que mais custam caro

Usar a criança como correio. "Fala pro seu pai que ele está atrasado com a pensão." Cada recado desses coloca uma criança no meio de uma disputa que ela não tem como resolver.

Falar mal do outro na frente dela. Mesmo com razão. Mesmo quando é verdade. Metade dela é ele, e a conta que ela faz costuma cair sobre si mesma.

Transformar a criança em confidente. Contar da traição, chorar todo dia com ela, pedir consolo. Isso produz a inversão de papéis que descrevo em a filha que carrega a família inteira, e o efeito dura décadas.

Fazer disputa de afeto com presente e permissividade. A criança percebe e aprende a negociar entre as duas casas, o que não é bom para ninguém.

Impedir o convívio sem motivo de proteção. Além do dano afetivo, tem consequência jurídica: a legislação brasileira trata da alienação parental, e essa é uma discussão que precisa passar por advogado.

O que as crianças costumam sentir

Depende muito da idade. As menores, até uns seis anos, costumam voltar atrás em coisas que já faziam: xixi na cama, medo de dormir sozinha, choro na despedida. As de sete a doze fazem perguntas práticas e frequentemente acham que causaram tudo. Adolescentes costumam reagir com raiva, distanciamento ou uma maturidade excessiva que assusta, assumindo o papel de cuidar do pai ou da mãe.

Existe também a criança que sente alívio, principalmente quando a casa vivia em conflito aberto, e depois se sente péssima por ter sentido isso. Vale nomear esse alívio como legítimo quando ele aparecer.

Se o comportamento mudar e não voltar ao normal em algumas semanas, ou se aparecer isolamento e tristeza persistente, procure pediatra e psicólogo infantil. Os sinais estão descritos com detalhe em quando o filho se fecha.

A parte jurídica, que terapia nenhuma resolve

Preciso ser claro sobre isso porque muita gente chega procurando trabalho espiritual para uma questão que é de direito.

Guarda, convivência, pensão alimentícia e partilha de bens têm forma jurídica, prazos e consequências que duram anos. Um acordo mal feito em nome da paz momentânea vira problema real depois. Procure advogado. Quem não tem condição de pagar tem direito à defensoria pública, e existem núcleos de prática jurídica em faculdades de direito que atendem gratuitamente.

Mediação familiar merece um parágrafo próprio, porque é subutilizada no Brasil. Um mediador ajuda o casal a construir acordos sobre rotina, férias, escola e despesas, com um terceiro organizando a conversa. Existem mediadores particulares e centros judiciários de solução consensual de conflitos ligados aos tribunais. Casais que conseguem mediar costumam sair com acordos melhores e mais duradouros do que casais que litigam por anos. A exceção importante: onde houve violência, mediação não é o caminho, porque não existe negociação equilibrada entre alguém que teme e alguém que ameaça.

Cuidar de quem está segurando tudo

Você está se separando, administrando emoção de criança, mudando de casa, mexendo em dinheiro e provavelmente dormindo mal. Um adulto nessas condições tem menos paciência, e menos paciência aparece na criação. Cuidar de si aqui não é luxo: é parte do que protege seus filhos.

Se a decisão ainda não está tomada, ou se você oscila todo dia, o assunto continua em decidir separar.

O vínculo que não acaba no papel

Existe uma coisa que os documentos não encerram. Você continua vendo o rosto dele na festa da escola pelos próximos quinze anos. Continua tendo que combinar Natal, formatura, casamento de filho. Muita gente procura terapia espiritual justamente aí, quando a separação legal está feita e o vínculo continua doendo.

O Osatoshi, prática espiritual japonesa da tradição da Shinri, tem um formato voltado a esse tipo de vínculo, descrito em divórcio energético. Não é prática de saúde, não avalia doença, não resolve pensão e não faz ninguém mudar de comportamento. Não existe estudo científico sobre isso e ninguém deveria dizer o contrário. O que se relata depois é discreto: menos reatividade ao ver o outro, uma sensação de assunto encerrado, uma conversa sobre a criança que finalmente aconteceu sem gritaria.

O que dá para prometer aos seus filhos

Não é que vai ser fácil. É que eles não vão ficar no meio. Que ninguém vai ser obrigado a escolher, a defender lado ou a carregar recado. Que os dois adultos vão resolver assunto de adulto entre adultos.

Se quiser conversar sobre como atravessar esse período, o contato está aberto.

Uma família muda de forma quando um casamento acaba. Não deixa de ser família, e boa parte disso depende do que os dois decidirem fazer com o que sobrou de respeito.

Quer conversar sobre o seu caso?

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Perguntas frequentes

Divórcio faz mal para as crianças?
O que a experiência clínica e a literatura apontam com mais consistência é que o principal fator de sofrimento não é a separação em si, e sim o nível de conflito entre os pais, antes e depois dela. Crianças costumam se adaptar razoavelmente bem a duas casas organizadas. Costumam sofrer muito em uma guerra permanente entre adultos.
Como contar para os filhos que vamos nos separar?
Se possível, os dois juntos, uma vez, com informações concretas sobre o que muda e o que continua. Sem detalhes do conflito adulto, sem culpados e sem pedir opinião. Diga que a decisão é dos adultos, que a culpa não é deles e que os dois continuam sendo pais. Depois, esteja disponível para as perguntas que vêm nas semanas seguintes.
Preciso de advogado para me separar tendo filhos?
Sim, e essa parte não se resolve com terapia. Guarda, convivência, pensão e partilha têm forma jurídica própria e consequências duradouras. Quem não pode pagar tem direito à defensoria pública. Mediação familiar ajuda muito a construir acordos, exceto onde houve violência.
Meu filho ficou agressivo depois da separação. É normal?
Mudanças de comportamento nas primeiras semanas são frequentes: irritação, regressão, sono ruim, queda nas notas. O que pede avaliação é a persistência. Se durar mais de algumas semanas ou vier com isolamento, tristeza constante ou falas sobre não querer viver, procure pediatra e psicólogo infantil sem demora.

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